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Girls Rock Camp reúne atitude e ensino musical para jovens meninas em Curitiba

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Última atualização: 13 de agosto de 2018

Texto por: Anna Barbara Tuttoilmondo

Revisão: Willian Jhonnes

Em um preocupante cenário da indústria musical, onde grandes marcas de instrumentos declaram falência e no qual se questiona o ensino de música nas escolas, muitos são os movimentos para incentivar crianças e adolescentes a abraçar a música para exercitar não apenas a aprendizagem proveniente dos estudos musicais como, também, as possibilidades de desenvolvimento individual e coletivo ao incrementar a autoestima e a confiança por meio da educação musical.

É a partir dessa ideia que o Girls Rock Camp vem reunindo esforços e para proporcionar educação musical e muita atitude rock n’ roll para meninas entre 8 e 18 anos. Organizado por Carla Del Valle, Vanessa Mazer, Marlisi Rauth, Roberta Cibin e Gabriela Pinheiro, o acampamento vem conquistando espaço e chamando a atenção de jovens meninas que descobriram na música uma forma de fazer e, principalmente, ser o que desejam.

O projeto, que em Curitiba completou 1 ano em 2018, ganhou força com a visibilidade das discussões pela igualdade de gênero. “Trazer o Camp para Curitiba era um desejo de alguns anos, basicamente alimentado pela vontade de ter vivido uma experiência como essa na infância”, diz Carla Del Valle, uma das organizadoras. “No início de 2017 começamos a conversar com um grupo de amigas que sabíamos que elas abraçariam a causa. Uma acabou chamando a outra e hoje nós somos em cinco voluntárias que coordenam o projeto. Além disso, o momento pareceu oportuno pela visibilidade que a discussão pela igualdade de gêneros vem recebendo. Então, a hora é de preparar as meninas para esse novo mundo que vem por aí, em que elas realmente poderão tudo”, completa.

Empoderamento e diversão

Preparar as meninas, no entanto, não é uma tarefa totalmente fácil. Trabalhar conceitos de igualdade para crianças em fase de crescimento tem que ser feito com cuidado e naturalidade. “Basicamente, falamos sobre igualdade, que é um conceito inquestionável. Não há, racionalmente, nenhum argumento que justifique a diferenciação entre atividades que homens e mulheres podem desempenhar. Colocamos isso com naturalidade, porque é natural. Então é dessa forma que as meninas aceitam essas colocações, Nelas, esses preconceitos internalizados são bem menores do que nos adultos.”, explica Del Valle.

O trabalho psicológico, entretanto, é intercalado com as atividades do acampamento, o que permite colocar em prática os conceitos ensinados pelas coordenadoras. “As meninas se dividem em bandas de forma aleatória no primeiro dia do camp, então vão se conhecendo durante a semana de atividades. Cada uma das bandas tem uma produtora e uma empresária, que acompanham todas as práticas e trabalham como tutoras. A banda é livre para definir nome, letra da música, logo, etc. Elas agem e trabalham como grupo e é impressionante a integração, a confiança mútua e o resultado do trabalho que fazem”, nos conta Carla.

A cereja desse delicioso bolo que é o Girls Rock Camp é o showcase, onde as meninas apresentam as músicas que compuseram. O show ocorre em uma casa noturna, aberto à comunidade.”Famílias, amigos, voluntárias, todo mundo está lá pra ver o que elas construíram durante a semana. E elas tocam como uma banda de verdade, cheias de gás e de emoção”, diz Del Valle.

E o resultado de todo esse trabalho? Os melhores possíveis. “É bem legal observar isso depois do [Girls Rock] Camp, porque essa é uma das nossas maiores expectativas, a transformação no cotidiano delas. Então, ficamos felizes ao ver as campistas frequentando nossos eventos durante o ano, ou os shows de bandas que conheceram lá, ou então receber um depoimento ou comentário de mãe emocionada com o impacto do acampamento na vida da menina”, conta Del Valle.

Parcerias e crescimento

Em apenas um ano de vida, o Girls Rock Camp já vem expandindo suas atividades e estabelecendo novas parcerias. Recentemente o GRC – como é conhecido – ofertou oficinas de instrumentos musicais como guitarra e bateria para mulheres acima de 18 anos. Segundo Carla Del Valle, o trabalho da GRC é para mulheres de todas idades, observando mulheres que deixaram de lado o desejo de tocar por se sentirem envergonhadas. Diante disso, as organizadores decidiram conceber esse formato para atrair mais mulheres interessadas na educação musical.

Entretanto, apesar das boas intenções e de conseguirem estabelecer boas parcerias, como a parceria com a Pedreira Paulo Leminski, o projeto ainda tem pouca visibilidade. “Basicamente, as parcerias se desenvolvem com base nos relacionamentos pessoais das coordenadoras, ou de amigos de amigos. Precisamos ganhar visibilidade para que o reconhecimento saia de nossos círculos, que são grandes, mas ainda restritos.”

Se você deseja contribuir com o projeto, entre em contato pelo e-mail grccuritiba@gmail.com ou pela página no Facebook: facebook.com/girlsrockcampcuritiba/

Anna Tuttoilmondo
Jornalista formada pela PUCPR e estudante de História - Memória e Imagem na UFPR. Curiosa, apaixonada por música, cerveja e e filmes de terror trash.

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